sábado, 30 de novembro de 2013

Flutuando na superfície

http://www.flickr.com/photos/hmaziviero/
E aos poucos vou me diluindo em mim, até perceber que não existo senão através dos resquícios que minha alma capenga foi deixando pelo caminho.
Escorro como a água. 
Quando vejo, já fui.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Eu quero apodrecer por você

http://www.flickr.com/photos/hmaziviero
Não, meu amor, já não importa o que você acha. Levante. Vamos! Olhe pra mim com seus olhinhos tristonhos e me dê a chance de lhe mostrar. Deixe. Eu cuido das lágimas. Não se importe com isso. Você acha mesmo que eu a amo de uma maneira louca e peculiar? Achou mesmo? Não, meu amor. Isso não é o amor. O que eu já fiz por você? Eu não fiz nada. Sim. Eu sei, sei...Mas não fiz nada de importante, de substancial. Nunca me sacrifiquei por você. Nunca abandonei o que estava fazendo para lhe oferecer o meu melhor. Você nem ao menos sabe a diferença entre o caos e a harmonia! Entre a sinceridade e a  rispidez! É isso...Você não sabe. Você nem imagina o que pode ser o meu melhor. Você nunca me deixou descobrir. Eu lhe mostro o meu pior e você gosta porque diz que me entende. O amor não é sagrado, não é intocável. Não. Você não me entende. Ninguém se conhece pelo pior. Você apenas me REconhece. E sabe porquê? Porque só aquilo que amadurece pode apodrecer; e você nunca me deixou apodrecer, meu amor. Por favor. Eu quero apodrecer! Me deixe descobrir o que sobra quando tudo em mim terminar, quando tudo virar pó, quando já não existir mais a minha sombra. Essa sombra que me persegue e que, essa sim, você conhece bem. Você ama minha sombra, meu amor. Sinto lhe dizer...sinto tê-la enganado por tanto tempo, mas...Você não me ama. Eu sei, seu sei. Dói. Está doendo muito. Dói descobrir que você não me ama, que tudo foi engano...Tanto tempo perdido. Sinto muito, meu amor, sinto muito...

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

A estrela e a cruz


Aquela súplica de medo
De quem se despede e tem desejo
Ouso em ti o que o mundo me negou
Sinto na pele o gesto infame
de quem vem e logo deixa.
Peso neste corpo, que
sedento implora por seu gosto

E no caos metafísico do medo
É pelo encontro fatídico que anseio.
Ouso em ti toda a minh'alma
que em meio a seu gozo se despede
temerosa do suspiro que se ausenta

domingo, 13 de janeiro de 2013

Poema para (por; escrito no lugar de) Deleuze


Foto: Helena Maziviero

Escrevo para o cachorro que late incansavelmente durante a noite e perturba os vizinhos.
Escrevo para os vizinhos, que se reviram na cama soltando grunhidos de insatisfação.
Escrevo para quem não lê, para quem não crê, para quem chora e pra quem sofre.
Escrevo para os idiotas e para as mentes tortas; para o medo, para a angústia e para o desejo. Emudecidos.
Escrevo para mim - que me perdi - e para você, que me deixou.
Escrevo para tudo o que não existe e ofega, me implora.
Escrevo para a lágrima que brota dos olhos e inunda o coração, que bate.
Escrevo porque penso e porque posso. Escrevo no limite da linguagem. Quando quero e sem querer.
"Escrever é devir."

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Clonazepam 2,5 mg/ml via oral

Foto: Helena Maziviero

Os olhos não abrem. Por que não abrem? Você está dormindo. Precisa acordar e então eles abrirão. Está frio. É preciso puxar mais o lençol. Até o pescoço. Frio ainda. Desligar o ventilador. É isso. O ventilador. Já está clareando. Eu dormi. Consegui dormir quase uma noite inteira. Umas 3h acho. O estômago está revirado, a parte de trás da cabeça...É ruim. A cabeça parece que vai explodir. É....as palpitações. Volte a dormir. Tente voltar. O sono, minha cabeça, quanta coisa! Eles, eu, mais um dia, quero dormir. Não dá. Vou abrir os olhos. Algumas reviradas na cama. Sonhos, muitos sonhos. Muita coisa junta. Calafrios. A mão está molhada. Eu sou frágil. Muito frágil. Meu corpo...quase nada. E se o coração parar? Será? Melhor não. Não. Melhor sim. Mas vai ser pior a longo prazo. Mas eu estou precisando agora. Será? Eu não queria. Está ruim.Controle sua mente. Controle. Não analise os pensamentos. Veja-se de fora. Seja um observador de você mesmo. Domine seu ego. Está ruim. Quero chorar. Os grunhidos vão começar. Não, não... "Hã! Hã! Hã!". Três respiradas fortes..Não. Quatro respiradas fortes. "Hããããããããã!!!". Está ruim. "Hãããããã!!!". Rivotril. "Hã, hã, hã, hã!".Cozinha. Está acabando. Receita. Na mochila. Comprar antes que vença. É azul. A receita é azul. Bolso de fora da mochila. Só tem água gelada. É ruim. A boca não fica dormente. Gosto mais quando a boca fica dormente. Quantas gotas? 15. Não. Preciso diminuir. A Drª vai ficar orgulhosa...13 gotas. Isso é igual a 1,3 mg. Não, não vai dar. Põe 15. Pro santo? Ele não precisa de Rivotril. 15.

Finalmente. Acabou. Pronto, pronto...Pensamentos voltando a velocidade normal. Dormir mais um pouco. Muito cedo ainda. O dia está lindo, não? Muitas coisas pra fazer. Um ótimo dia, de fato.


domingo, 19 de agosto de 2012

Hakuna Matata

Retirada daqui
Foi quando disseram-lhe: "Se a vida lhe der um limão, faça dele uma limonada."

Tomou tanta limonada que acabou por contrair uma úlcera gastrointestinal hemorrágica, o que, por sua vez, tratou  de dilacerar a mucosa da parede de seu estômago, rompendo suas vísceras após atingir o peritônio.

Morreu. E sempre detestou limonada.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

A dança dessa gente que mente

Nessa mente, desse corpo





Se a mente dança com o corpo da gente,
A dança do corpo é o trabalho da mente.
O corpo da gente mente que dança,
E a gente dança nesse corpo que mente.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Córtex e Subcórtex

Foto: Helena Maziviero










Os pensamentos davam voltas, formando círculos concêntricos que iam se expandindo gradualmente até se perderem na imensidão nas emoções infinitas. A cabeça girava tentando encontrar um fulcro que sustentasse os ímpetos da alma. Desprovidos de força muscular, os olhos consentiam inexpressivos ao turbilhão de sentimentos que prenunciavam o desespero iminente. 
Tinha os seios pequenos e empinados, que, num esforço sobre-humano, pareciam sustentar os movimentos pungentes e desesperados do tórax. Soltou um gemido quase inaudível no instante em que uma lágrima mal formada escorreu pela lateral do rosto e veio encontrar repouso no travesseiro puído. 
"curva de distribuição da intensidade luminosa"
http://goo.gl/ZH1Fh
A luz buscava as frestas escondidas nos recantos mais hostis do quarto escuro para então culminar em raios luminosos sem graça. Tudo ofegava. Um caos de extremo mau gosto insistia em inibir qualquer ousadia da razão... Queria encontrar os pedaços de si que estavam espalhados pelo quarto, mas o Sol já ameaçava se pôr. Os pensamentos oscilavam na mesma frequência da luz cada vez mais amarelada que ainda insistia em entrar. "Lá fora vai escurecer. Lá fora e aqui dentro.", sussurrou para si. Riu um riso frouxo, fez um movimento que parecia involuntário com os braços e completou: "Aqui fora e lá dentro". Nesse momento, o coração bateu doído. Teve a certeza que o culpado era o Sol.  "Ele não vê que, a cada dia, se põe em um horizonte diferente?".

quinta-feira, 19 de julho de 2012

∞ (ou Quase Certamente)

Os infinitos decimais existentes entre o 0 e o 1 correspondem a vasta gama de pensamentos e atitudes existentes entre o sim e o não.


A realidade não é binária. Quem dirá as palavras e os sentimentos...!

sábado, 14 de julho de 2012

Anotações da Madrugada #2

Foto: Helena Maziviero
E então a poesia é isso.
Esse último suspiro eterno,


que inspira
que respira
que transpira




lenta e silenciosamente;
ofega

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Espelho dos olhos

Chorou tanto e com tanta força que os olhos saltaram das órbitas.


Na pressa de recolocá-los, acabou se atrapalhando...Agora eles ficam voltados pra dentro, e enxergam a alma.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Anotações da Madrugada #1

http://www.flickr.com/photos/hmaziviero/

Quanto mais livre deixo aqueles que amo, mais me certifico desse amor.

Eu sou o outro. E gosto que me deixem livre para sê-lo.

No território intransferível que é esse meu corpo, mora uma alma caduca.

Eu sou toda sentimento.

domingo, 10 de junho de 2012

E esse arco-íris chamado gentileza

http://www.flickr.com/photos/hmaziviero/

E no meio de tanto concreto, eu sempre acabo vendo o pálido e machucado arco-íris da delicadeza.
Talvez seja grande bobeira, grande ingenuidade, grande ignorância.

Mas ao menos é grande, diante de tanta pequenez.


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"Verdade não é para agredir. Não é para ferir. Não é para machucar.

Confunde-se verdade com grosseria, com preguiça, com indisposição.

Ser honesto é cuidar do que se diz e como se diz.
[...]
Custa muito ser gentil? Custa sim! Custa pensar duas vezes, desejar duas vezes, amar duas vezes.

A grosseria que é de graça.

Verdade é feita para ajudar. Não há maior verdade do que a delicadeza." (Carpinejar)

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Caralho!


Ilustração de Carybé


Recordando essas coisas enquanto preparavam o baú de José Arcádio, Úrsula se perguntava se não era preferível deitar de uma vez na sepultura e que jogassem terra em cima, e perguntava a Deus, sem medo, se de verdade achava que as pessoas eram feitas de ferro para suportar tantos padecimentos e mortificações; e perguntando e perguntando ia atiçando sua própria confusão, e sentia uns desejos irreprimíveis de desandar a dizer palavrões e xingamentos como se fosse um daqueles forasteiros, e de se permitir enfim um instante de rebeldia, o instante tantas vezes ansiado e tantas vezes adiado e mandar a resignação à merda, e cagar de uma vez para tudo, e arrancar do coração os infinitos montões de palavrões que tinha precisado engolir num século inteiro de conformismo.
-Caralho! - gritou.
Amaranta, que começava a pôr a roupa no baú, pensou que ela tinha sido picada por um escorpião.
- Onde está? - perguntou alarmada.
- O quê?
_ O animal! - esclareceu Amaranta.
Úrsula pôs o dedo no coração.
- Aqui - disse.

(Trecho do livro Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez)


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Sumindo por uns tempos. Sentimentos rarefeitos, palavras inertes.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Poeminha de quem acaba de acordar

Joseph Ducreux


Foi  quando ela respirou serena, pensou sem querer e falou sem pensar
que a boniteza do sorriso é a mesma que reflete o olhar.
Riu de ternura e gosto esperando agradar
Mas ele entendeu bem pouco, do pouco que queria ela falar.
"Essa menina....que boba! Vou fingir um bocejar"...

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Acordei hoje com isso na cabeça.
 

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Eu continuo aqui

Penny Lenna

Ele apertou a mão com toda a força, enquanto a poeira acinzentada que lhe escapava pelos dedos era levada pelo vento.

Ela assistiu a cena sem se mover. Seus olhos não tinham expressão alguma. Nenhum músculo do corpo quis reagir. Na reunião de todas as forças, uma lágrima sem graça conseguiu se formar e escorreu pelo rosto desesperadamente inexpressivo.  

A esperança, a fé, os sentimentos, os princípios cuidadosamente edificados, milimetricamente calculados durante anos...Todos levados por um único sopro de vento.

Ele vai. Ela indefinidamente ficará.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

"A soma das partes"...

Parte 1 


[...]
É a própria fé o que destrói
Estes são dias desleais.
[...]





Parte 2


"[...] aceitar que não é possível fazer as pessoas felizes e que eventualmente não haverá nada a ser feito senão desistir de alguém e tentar de novo com outra pessoa. Uma geração egocêntrica, emocionalmente frágil e imatura, que não sabe dizer o que sente, só consegue se relacionar através de uma balança de poder e vai ter que suar muito até aprender que um relacionamento ou é bom, ou não serve."


Parte 3


O amor é o dom supremo 


I - Aos Coríntios 13:1-13
1 - Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seriacomo o metal que soa ou como o címbalo que retine.
2 - E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.
3 - E ainda que distribuísse todos os meus bens para sustento dos pobres, e ainda queentregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.
4 - O amor é paciente, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria, não se ensoberbece,
5 - Não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal;
6 - não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade;
7 - Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
8 - O amor jamais acaba; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas,cessarão; havendo ciência, desaparecerá;
9 - Porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos;
10 - Mas, quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado.
11 - Quando eu era menino, pensava como menino; mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.
12 - Porque agora vemos como por espelho, em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei plenamente, como também sou plenamente conhecido.
13 - Agora, pois, permanece a fé, a esperança, o amor, estes três; mas o maior destes é o amor.

Parte 4


Assistir a partir dos 13min e 15 seg.




Parte 5

Trecho retirado de "A insustentável leveza do ser"




"Queria cuidar dela, protegê-la, alegrar-se com sua presença, mas não via nenhuma necessidade de mudar seu modo de vida. 
Assim, não queria que se soubesse que ela dormia em sua casa. O sono compartilhado era o corpo de delito do amor."

[...]

"[...]deitar com uma mulher e dormir com ela, eis duas paixões não somente diferentes mas quase contraditórias. 
O amor não se manifesta pelo desejo de fazer amor (esse desejo se aplica a uma série inumerável de mulheres), mas pelo desejo do sono compartilhado (este desejo diz respeito a uma só mulher)."



Parte 6

Trecho de “Os Irmãos Karamazov”, de Dostoiévski.



“Sobretudo não minta a si mesmo. Aquele que mente a si mesmo e escuta sua própria mentira vai ao ponto de não mais distinguir a verdade, nem em si, nem em torno de si; perde pois o respeito de si e dos outros. Não respeitando ninguém, deixa de amar; e para se ocupar, e para se distrair, na ausência de amor, entrega-se às paixões e aos gozos grosseiros; chega até a bestialidade em seus vícios, e tudo isso provém da mentira contínua a si mesmo e aos outros. Aquele que mente a si mesmo pode ser o primeiro a ofender-se. É por vezes bastante agradável ofender a si mesmo, não é verdade? Um indivíduo sabe que ninguém o ofendeu, mas que ele mesmo forjou uma ofensa e mente para embelezar, enegrecendo de propósito o quadro, que se ligou a uma palavra e fez dum montículo uma montanha — ele próprio o sabe, portanto é o primeiro a ofender-se, até o prazer, até experimentar uma grande satisfação, e por isso mesmo chega ao verdadeiro ódio…"



quarta-feira, 28 de março de 2012

"Como é estéril a certeza de quem vive sem amor" (ou "e há tempos o encanto está ausente")

Penny Lena


...

“Os seres materiais constituem o mundo visível ou corporal; os seres imateriais, o mundo invisível ou espírita, ou seja, dos Espíritos.”

“Os Espíritos são atraídos em razão de sua simpatia pela natureza moral do ambiente em que são evocados. Os Espíritos superiores se satisfazem com reuniões sérias em que dominam o amor pelo bem e o desejo sincero de receber instrução e aperfeiçoamento. A sua presença afasta os Espíritos inferiores que, caso contrário, encontrariam aí livre acesso e poderiam agir com toda a liberdade entre as pessoas levianas ou guiadas somente pela curiosidade. Em todos os lugares onde se encontram maus instintos, longe de obter bons conselhos, ensinamentos úteis, devem-se esperar apenas futilidades, mentiras, gracejos de mau gosto ou mistificações, visto que, freqüentemente, eles tomam emprestado nomes veneráveis para melhor induzir ao erro.”


“Distinguir os bons dos maus Espíritos é extremamente fácil. A linguagem dos Espíritos superiores é constantemente digna, nobre, repleta da mais alta moralidade, livre de toda paixão inferior; seus conselhos exaltam a sabedoria mais pura e sempre têm por objetivo nosso aperfeiçoamento e o bem da humanidade. A linguagem dos Espíritos inferiores, ao contrário, é inconsequente, muitas vezes banal e até mesmo grosseira; se por vezes dizem coisas boas e verdadeiras, dizem na maioria das vezes coisas falsas e absurdas por malícia ou por ignorância. Zombam da credulidade e se divertem à custa daqueles que os interrogam ao incentivar a vaidade, alimentando seus desejos com falsas esperanças. Em resumo, as comunicações sérias, no verdadeiro sentido da palavra, apenas acontecem nos centros sérios, cujos membros estão unidos por uma íntima comunhão de pensamentos, visando ao bem.”


“A moral dos Espíritos superiores se resume, como a de Cristo, neste ensinamento evangélico: ‘Fazer aos outros o que quereríamos que os outros nos fizessem’, ou seja, fazer o bem e não o mal. O homem encontra neste princípio a regra universal de conduta, mesmo para as suas menores ações.”

domingo, 25 de março de 2012

Sabedoria helênica em 22 lições

"Conhecer a mim mesmo para saber como modificar minha relação para comigo, com os outros e com o mundo." 

A verdade é que sempre detestei autoajuda. Quando comecei a me interessar e me envolver com o mundo da literatura, abominava o fato de esse tipo de livro estar sempre nos primeiros lugares da famosa lista dos “mais vendidos”. Há um interesse exagerado e massivo por esse tipo de informação (que não, não é literatura). Livros de autoajuda abrangem todos os aspectos da vida humana. Abordam desde problemas de cunho sexual, passando por problemas profissionais, até adentrar temas profundamente complexos, que dão conta, por exemplo, da busca pela felicidade e realização pessoal.

Enfim, nunca gostei de autoajuda. Mas, nos últimos anos, mudei um pouco o enfoque da questão. Agora me pergunto: Por que as pessoas consomem tanto esse tipo de informação? Há uma necessidade frenética e desesperada da busca pelo bem-estar, da solução imediata dos problemas, de se entender, de entender o outro.
Tudo isso parece ser uma característica inerente aos homens de hoje.

O que quero dizer é que existe um propósito para tudo isso. A autoajuda vende muito. E vende muito porque as pessoas estão perdidas e desorientadas. É cada vez mais difícil lidar com as exigências do mundo de hoje. Estamos nos dissolvendo, perdendo nossa própria essência em busca de algo que ninguém mais sabe o que é.

Baseada nessa reflexão, eu tomei uma atitude que, a primeira vista, me pareceu bastante boba. Decidi fazer um post do tipo “autoajuda”. Listei algumas lições que considero essenciais e que aprendi no decorrer dos meus 22 anos de existência. São elas:

1) O seu bem-estar deve vir em primeiro lugar, contanto que não prejudique outras pessoas.
2) O único amor que deve ser incondicional é o de uma mãe para um filho.
3) Amor é a soma dos fatores: respeito + harmonia + compreensão + confiança + companheirismo + desejo
4) A sabedoria é a mais alta das qualidade humanas (e também a mais rara)
5) Sempre, em qualquer situação, escute o que o outro tem a dizer
6) Seja sensível, empático, compreensivo e afetuoso. Em longo prazo, isso lhe trará paz de espírito.
7) Se posicione em relação as pessoas e as situações, deixado bem claro qual é a sua postura.
8) Admita seus momentos de fraqueza. Aceite e ofereça ajuda. Não se envergonhe se estiver perdido e não souber como agir.
9) Procure não ser radical em suas decisões. Aja com sensatez e sabedoria.
10) Nunca compare ou julgue as pessoas por ser quem são. Critique suas ideias e não a pessoa em si.
11) Não tome sozinho decisões que vá envolver outras pessoas.
12) Não seja austero e/ou arrogante. Mude de atitude e/ou opinião se perceber que está errado e admita seu erro.
13) Questione sempre. Não aceite tudo passivamente.
14) Você é o grande responsável por sua vida.
15) Não seja tão tolerante a ponto de se acomodar com situações frequentemente desconfortáveis.
16) Não seja obcecado, assim você sempre terá a sensação de liberdade de espírito.
17) O tempo não apaga os sentimentos. Apenas os traduz para formas menos intensas e/ou dolorosas.
18) Tenha sempre fé nas pessoas.
19) Se algo ou alguém não lhe faz bem, simplesmente afaste-se.
20) Seja impetuoso, porém prudente.
21) As pessoas têm tempos diferentes. Respeite isso. Mas não espere para sempre.
22) Seja sincero e verdadeiro em todas as situações.