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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Limite e Continuidade

 


 Uma criança de rua, um sentimento sem nome, um problema sem solução, uma verdade não dita, uma dor sem cura, uma flor na rua, um grito abafado, um parafuso que falta, um amor não correspondido...



Tudo o que se perde, mas não deixa de existir
No final, amar é deixar ir



sexta-feira, 14 de maio de 2010

Quando anuncias a hora da partida



Era óbvio. Ele nunca a amaria. Gostava dela um bocado, é verdade. Podia sentir quando ele a beijava. Via seus olhos se revirarem de prazer. A boca cálida quase queimava quando os lábios tocavam o pescoço. Ela permanecia inerte. Era ele quem mandava. Amava-o tanto que não se importava. Mandava no seu corpo, nos seus sentimentos, nos seus pensamentos. Até sua alma pertencia à ele.

Mas é na hora da partida que o sentimento puro aflora e se revela para além das palavras.
É o momento em que o coração perde o compasso, o pulmão implora ofegante, os olhos umedecidos se fecham em derrota, a alma transtornada emudece e se apaga. E o corpo, imóvel, quase desfalece impotente.

Depois da partida, tudo vira silêncio...

Era sempre ele quem anunciava a partida, quem lembrava que era tarde. Era óbvio que seria ele quem a deixaria.

Mas esse era seu papel de homem. Ele era mais forte, mais cruel e egoísta. Ele era o homem e não amava. Ela era a mulher. Apenas uma mulher... Frágil e tosca, refém de si mesma. De forte, só o sentimento.

Quando se viu abandonada, apertou a mão com toda a força. Não era muita, mas se esforçou ao máximo, até sentir as unhas cravarem na pele macia da palma da mão. Parou quando sentiu o sangue escorrer. Queria ter a certeza de que o coração ainda batia...