domingo, 27 de fevereiro de 2011

 Não. Não sou eu de cabelo curto. Esse é meu irmão.


Quando sentir a vontade de fazer algo, faça como meu irmão: sente e espere até a vontade  passar.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Paulicéia desvairada

Flickr
Saí de agasalho, touca, calça jeans, meias longas e all star vermelho. Quase esqueci o guarda-chuva xadrez. Mas meu pai, de roupão e chinelas, enfrentou o orvalho congelado na grama para poder entregá-lo a mim.
Já eram  quase 7h, mas a manhã não tinha vindo. Ainda era madrugada. As luzes dos postes estavam acesas, mas não iluminavam muita coisa.
Desci a ladeira de casa sem poder ver mais do que vultos que estivessem a mais de três metros de distância. A neblina era tão densa que as vezes eu riscava o ar com os dedos para ver se conseguia cortá-la.
Sabe aquele vaporzinho que sai da boca porque dizem que nosso corpo está quente por dentro, aí a água que está no ar condensa quando a gente bafora?? É mentira. Sempre acreditei que aquilo era a fumaça da fogueira que meu estômago acendia porque estava com frio. Foi a Teresa - ou minha mãe preta, como ela gostava de dizer - quem me contou esse segredo. Eu era uma boba. Tinha sete anos e ainda acreditava na felicidade. Não acedito mais na felicidade, mas creio em fogueiras feitas pelo estômago.


Velha Paulista de guerra.


Enfim, são lembranças que eu tenho de São Paulo.
É a minha terra.
Engraçado, mas nunca consigo me inspirar pra falar dela.
Hoje descobri o porquê. Ela não me ama. Ela não ama ninguém. É uma velha rabugenta que cospe diariamente mais de onze milhões de pessoas nas ruas e as obriga a trabalhar, estudar, vagabundear ou pedir esmolas. Sem se importar com seus agasalhos ou meias longas de lã.
Na época, esse amor não correspondido me comovia muito. Me fazia sentir raiva. Eu me doava tanto...Caminhava pelas ruas mais obscuras, aguentava firme o cheiro de merda que brotava do Tietê, percorria estações em metrôs e trens lotados, via crianças cheirando cola e pedindo esmola...
Mas aguentei firme!
Eu me doei àquela cidade. Me ofereci como uma vagabunda. Daquelas que sobem e descem pela Augusta a procura de um "bacana".
Mas ela sempre me disse não. Me decepcionou, me cuspiu, me rasgou e vomitou.
E então eu desisti. Virei-lhe as costas. Sua puta mal agradecida!

Hoje, três anos longe dela, comecei a compreender. Ela é linda, mas detesta ser admirada. Como aquelas mulheres que encantam, te fazem rastejar por elas, comprar as jóias mais caras e ir a falência. Ela é linda, mas detesta ser amada. Mostra sempre sua pior face. Não corre o risco de ser só "mais uma".

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A palavra anônima

A primeira gota de chuva caiu no canto mais árido da terra sedenta. O chão endurecido se abria em valas quase profundas de onde brotavam ramos verdes sem graça.

A ventania furiosa anunciava a tempestade. Todos já tinham se esquecido da água, pensando que talvez ela tivesse ido cair em lugares tão distantes que havia se esquecido do caminho de volta.

 Foi no dia em que o primeiro pingo de água amansou a secura do solo que a moça duvidou do amor. Travou uma batalha tão sangrenta com as armas do coração que mal pôde crer quando ouviu o suspiro sofrido e quase sem vida de seus sentimentos. Comprimiu os lábios, cerrou os olhos com toda a força e com um gesto definitivo convenceu-se que em terra de seca as emoções não florescem.
Mas a chuva chegou de repente. As gotas tinham o diâmetro de uma bola de futebol e caíram com tanta violência que derrubaram até as nuvens que tentavam se formar no céu. Tanto foi o aguaceiro que todos pensaram que a água tinha decidido brotar do chão ao invés de cair do céu.

“Revele seu segredo que eu revelo o meu”, ele insistiu. Hesitou por um instante, mas foi categórica e negou. Ela ainda tinha as mãos sujas da barra de chocolate que tinha devorado momentos antes e mal teve tempo de limpá-las na calça jeans rasgada para o aperto de mãos da despedida.

A chuva já tinha estancado, mas a mão continuou estendida.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Tempo árido


"Eu deveria ter uma péssima impressão da vida se não fosse a paixão que tenho pela arte de viver" - Valéria Fagundes


Desculpem, mas cansada demais para qualquer coisa. São aqueles tempos em que tudo parece ofegante. Aqueles tempos em que as palavras certeiras se tornam oblíquas e o vocabulário imenso fica pequeno diante da crueza do que se sente. Definitivamente, o mundo é maior que tudo...
Pode sentir?

sexta-feira, 4 de junho de 2010

A palavra com C

Para além da subjetividade,reside ela
Perversa e ferina, é a cigana oblíqua
Corrói por dentro, destrói e incita
Acende a faísca, que a todo instante
faz do pensamento refém inconstante

Por que me toca e não me fala?
Me faz entender! Qual a palavra?
Finge Amor e reverbera Asco
Me deixe em paz, ó menina perversa!
Meu vocabulário inteiro não lhe basta!
Falsa e imprecisa, seja tu maldita
ó, CURIOSIDADE! 
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a pedido dele  =]