terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

A estrela e a cruz


Aquela súplica de medo
De quem se despede e tem desejo
Ouso em ti o que o mundo me negou
Sinto na pele o gesto infame
de quem vem e logo deixa.
Peso neste corpo, que
sedento implora por seu gosto

E no caos metafísico do medo
É pelo encontro fatídico que anseio.
Ouso em ti toda a minh'alma
que em meio a seu gozo se despede
temerosa do suspiro que se ausenta

domingo, 13 de janeiro de 2013

Poema para (por; escrito no lugar de) Deleuze


Foto: Helena Maziviero

Escrevo para o cachorro que late incansavelmente durante a noite e perturba os vizinhos.
Escrevo para os vizinhos, que se reviram na cama soltando grunhidos de insatisfação.
Escrevo para quem não lê, para quem não crê, para quem chora e pra quem sofre.
Escrevo para os idiotas e para as mentes tortas; para o medo, para a angústia e para o desejo. Emudecidos.
Escrevo para mim - que me perdi - e para você, que me deixou.
Escrevo para tudo o que não existe e ofega, me implora.
Escrevo para a lágrima que brota dos olhos e inunda o coração, que bate.
Escrevo porque penso e porque posso. Escrevo no limite da linguagem. Quando quero e sem querer.
"Escrever é devir."

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Clonazepam 2,5 mg/ml via oral

Foto: Helena Maziviero

Os olhos não abrem. Por que não abrem? Você está dormindo. Precisa acordar e então eles abrirão. Está frio. É preciso puxar mais o lençol. Até o pescoço. Frio ainda. Desligar o ventilador. É isso. O ventilador. Já está clareando. Eu dormi. Consegui dormir quase uma noite inteira. Umas 3h acho. O estômago está revirado, a parte de trás da cabeça...É ruim. A cabeça parece que vai explodir. É....as palpitações. Volte a dormir. Tente voltar. O sono, minha cabeça, quanta coisa! Eles, eu, mais um dia, quero dormir. Não dá. Vou abrir os olhos. Algumas reviradas na cama. Sonhos, muitos sonhos. Muita coisa junta. Calafrios. A mão está molhada. Eu sou frágil. Muito frágil. Meu corpo...quase nada. E se o coração parar? Será? Melhor não. Não. Melhor sim. Mas vai ser pior a longo prazo. Mas eu estou precisando agora. Será? Eu não queria. Está ruim.Controle sua mente. Controle. Não analise os pensamentos. Veja-se de fora. Seja um observador de você mesmo. Domine seu ego. Está ruim. Quero chorar. Os grunhidos vão começar. Não, não... "Hã! Hã! Hã!". Três respiradas fortes..Não. Quatro respiradas fortes. "Hããããããããã!!!". Está ruim. "Hãããããã!!!". Rivotril. "Hã, hã, hã, hã!".Cozinha. Está acabando. Receita. Na mochila. Comprar antes que vença. É azul. A receita é azul. Bolso de fora da mochila. Só tem água gelada. É ruim. A boca não fica dormente. Gosto mais quando a boca fica dormente. Quantas gotas? 15. Não. Preciso diminuir. A Drª vai ficar orgulhosa...13 gotas. Isso é igual a 1,3 mg. Não, não vai dar. Põe 15. Pro santo? Ele não precisa de Rivotril. 15.

Finalmente. Acabou. Pronto, pronto...Pensamentos voltando a velocidade normal. Dormir mais um pouco. Muito cedo ainda. O dia está lindo, não? Muitas coisas pra fazer. Um ótimo dia, de fato.


domingo, 19 de agosto de 2012

Hakuna Matata

Retirada daqui
Foi quando disseram-lhe: "Se a vida lhe der um limão, faça dele uma limonada."

Tomou tanta limonada que acabou por contrair uma úlcera gastrointestinal hemorrágica, o que, por sua vez, tratou  de dilacerar a mucosa da parede de seu estômago, rompendo suas vísceras após atingir o peritônio.

Morreu. E sempre detestou limonada.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

A dança dessa gente que mente

Nessa mente, desse corpo





Se a mente dança com o corpo da gente,
A dança do corpo é o trabalho da mente.
O corpo da gente mente que dança,
E a gente dança nesse corpo que mente.