terça-feira, 19 de junho de 2012

Anotações da Madrugada #1

http://www.flickr.com/photos/hmaziviero/

Quanto mais livre deixo aqueles que amo, mais me certifico desse amor.

Eu sou o outro. E gosto que me deixem livre para sê-lo.

No território intransferível que é esse meu corpo, mora uma alma caduca.

Eu sou toda sentimento.

domingo, 10 de junho de 2012

E esse arco-íris chamado gentileza

http://www.flickr.com/photos/hmaziviero/

E no meio de tanto concreto, eu sempre acabo vendo o pálido e machucado arco-íris da delicadeza.
Talvez seja grande bobeira, grande ingenuidade, grande ignorância.

Mas ao menos é grande, diante de tanta pequenez.


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"Verdade não é para agredir. Não é para ferir. Não é para machucar.

Confunde-se verdade com grosseria, com preguiça, com indisposição.

Ser honesto é cuidar do que se diz e como se diz.
[...]
Custa muito ser gentil? Custa sim! Custa pensar duas vezes, desejar duas vezes, amar duas vezes.

A grosseria que é de graça.

Verdade é feita para ajudar. Não há maior verdade do que a delicadeza." (Carpinejar)

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Caralho!


Ilustração de Carybé


Recordando essas coisas enquanto preparavam o baú de José Arcádio, Úrsula se perguntava se não era preferível deitar de uma vez na sepultura e que jogassem terra em cima, e perguntava a Deus, sem medo, se de verdade achava que as pessoas eram feitas de ferro para suportar tantos padecimentos e mortificações; e perguntando e perguntando ia atiçando sua própria confusão, e sentia uns desejos irreprimíveis de desandar a dizer palavrões e xingamentos como se fosse um daqueles forasteiros, e de se permitir enfim um instante de rebeldia, o instante tantas vezes ansiado e tantas vezes adiado e mandar a resignação à merda, e cagar de uma vez para tudo, e arrancar do coração os infinitos montões de palavrões que tinha precisado engolir num século inteiro de conformismo.
-Caralho! - gritou.
Amaranta, que começava a pôr a roupa no baú, pensou que ela tinha sido picada por um escorpião.
- Onde está? - perguntou alarmada.
- O quê?
_ O animal! - esclareceu Amaranta.
Úrsula pôs o dedo no coração.
- Aqui - disse.

(Trecho do livro Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez)


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Sumindo por uns tempos. Sentimentos rarefeitos, palavras inertes.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Poeminha de quem acaba de acordar

Joseph Ducreux


Foi  quando ela respirou serena, pensou sem querer e falou sem pensar
que a boniteza do sorriso é a mesma que reflete o olhar.
Riu de ternura e gosto esperando agradar
Mas ele entendeu bem pouco, do pouco que queria ela falar.
"Essa menina....que boba! Vou fingir um bocejar"...

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Acordei hoje com isso na cabeça.
 

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Eu continuo aqui

Penny Lenna

Ele apertou a mão com toda a força, enquanto a poeira acinzentada que lhe escapava pelos dedos era levada pelo vento.

Ela assistiu a cena sem se mover. Seus olhos não tinham expressão alguma. Nenhum músculo do corpo quis reagir. Na reunião de todas as forças, uma lágrima sem graça conseguiu se formar e escorreu pelo rosto desesperadamente inexpressivo.  

A esperança, a fé, os sentimentos, os princípios cuidadosamente edificados, milimetricamente calculados durante anos...Todos levados por um único sopro de vento.

Ele vai. Ela indefinidamente ficará.