sábado, 17 de março de 2012

Do que se perde

Não que fosse uma pessoa amarga. Só tinha perdido alguma coisa muito importante. 
a fé 
a esperança 
a afeição 


...sei lá. Não sei, não sei.
Acho que era muito mundo pra pouca poesia.



sexta-feira, 9 de março de 2012

Ora (direis) ouvir nebulosas!

Apenas acessem aqui!


E eu vos direi: "Amai para entendê-las!" 
Pois só quem ama pode ter ouvido 

Capaz de ouvir e de entender estrelas


Pois é, caro Bilac, entre estrelas, poeiras cósmicas, partículas subatômicas, filamentos galácticos, neutrinos e espumas quânticas; ainda estamos nós e ainda está o amor, capaz de ouvir e de entender o intocável, inconcebível infinito.


Imagem de hoje do  Astronomy Picture of the Day. Uma imagem diferente a cada dia. Todas captadas pela Nasa.


quarta-feira, 7 de março de 2012

Contraponto

O medo se contrapondo ao amor
O Sol se contrapondo à chuva
O calor daqui se contrapondo ao frio de São Paulo
Você se contrapondo a mim

A ausência que dói
A falta que faz
o poema que traduz...

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A Antonio Candido


"Porque há para todos nós um problema sério...
Este problema é o do medo."
(Antonio Candido, Plataforma de Uma Geração)

O medo

Em verdade temos medo.
Nascemos escuro.
As existências são poucas:
Carteiro, ditador, soldado.
Nosso destino, incompleto.

E fomos educados para o medo.
Cheiramos flores de medo.
Vestimos panos de medo.
De medo, vermelhos rios
vadeamos.

Somos apenas uns homens
e a natureza traiu-nos.
Há as árvores, as fábricas,
Doenças galopantes, fomes.

Refugiamo-nos no amor,
este célebre sentimento,
e o amor faltou: chovia,
ventava, fazia frio em São Paulo.

Fazia frio em São Paulo...
Nevava.
O medo, com sua capa,
nos dissimula e nos berça.

Fiquei com medo de ti,
meu companheiro moreno,
De nós, de vós: e de tudo.
Estou com medo da honra.

Assim nos criam burgueses,
Nosso caminho: traçado.
Por que morrer em conjunto?
E se todos nós vivêssemos?

Vem, harmonia do medo,
vem, ó terror das estradas,
susto na noite, receio
de águas poluídas. Muletas
do homem só. Ajudai-nos,
lentos poderes do láudano.
Até a canção medrosa
se parte, se transe e cala-se.

Faremos casas de medo,
duros tijolos de medo,
medrosos caules, repuxos,
ruas só de medo e calma.

E com asas de prudência,
com resplendores covardes,
atingiremos o cimo
de nossa cauta subida.

O medo, com sua física,
tanto produz: carcereiros,
edifícios, escritores,
este poema; outras vidas.

Tenhamos o maior pavor,
Os mais velhos compreendem.
O medo cristalizou-os.
Estátuas sábias, adeus.

Adeus: vamos para a frente,
recuando de olhos acesos.
Nossos filhos tão felizes...
Fiéis herdeiros do medo,

eles povoam a cidade.
Depois da cidade, o mundo.
Depois do mundo, as estrelas,
dançando o baile do medo.

Carlos Drummond de Andrade
In A Rosa do Povo

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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Limite e Continuidade

 


 Uma criança de rua, um sentimento sem nome, um problema sem solução, uma verdade não dita, uma dor sem cura, uma flor na rua, um grito abafado, um parafuso que falta, um amor não correspondido...



Tudo o que se perde, mas não deixa de existir
No final, amar é deixar ir



terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Sono_lento

Minimalismo


- Ai que preguiça!...

-Deixa disso!

-Tens razão.
 O melhor é imaginar
 que virei minimalista